O dirigente do PS/Açores Francisco César lamentou hoje que o povo açoriano não conheça os acordos firmados à direita para a formação de um governo na região.

“Encaramos com muita preocupação a forma como isto foi apresentado”, declarou hoje Francisco César, falando num debate promovido pela RTP/Açores a propósito da indigitação de José Manuel Bolieiro, do PSD, para presidir ao futuro Governo Regional.

O PS, sustentou Francisco César, “é um partido democrático que aceita os resultados eleitorais quando tem uma maioria absoluta, quando perde as eleições e quando tem uma maioria relativa, como foi o caso” no sufrágio do final de outubro.

Contudo, e com a formação de um governo de direita, formado por PSD, CDS e PPM, e com acordos parlamentares com Chega e Iniciativa Liberal, há “algumas preocupações” dos socialistas, pese embora a “mensagem” transmitida pelo eleitorado, de perda de maioria absoluta, ter sido entendida.

“A interpretação é clara: foi dada uma mensagem ao PS de que o PS devia mudar a sua forma de governação e de governo”, reconheceu César.

O dirigente reiterou preocupações com a maioria de direita apresentada ao representante da República, nomeadamente por esta assentar “num conjunto de acordos” privados.

“O povo açoriano não conhece estes acordos”, insistiu.

O líder do PSD/Açores e presidente indigitado do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, assumiu hoje o compromisso de desenvolver um “novo paradigma” de governação, em concertação com outras forças políticas.

“Quero deixar aqui declarado o nosso respeito e humildade para, sob o ponto de vista do diálogo partidário, assumirmos esta responsabilidade da pluralidade e da concertação, bem também como, nas políticas públicas do governo, desenvolvermos um novo paradigma de governação”, afirmou.

José Manuel Bolieiro falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, minutos depois de ter sido indigitado presidente do Governo Regional pelo representante da República para os Açores, Pedro Catarino.

O PS venceu as eleições legislativas regionais, no dia 25 de outubro, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo 25 deputados.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representavam 26 deputados, anunciaram esta semana um acordo de governação, tendo alcançado acordos de incidência parlamentar com o Chega e o Iniciativa Liberal (IL).

Com o apoio dos dois deputados do Chega e do deputado único do IL, a coligação de direita soma 29 deputados na Assembleia Legislativa dos Açores, um número suficiente para atingir a maioria absoluta, o que levou Pedro Catarino a indigitar o líder regional social-democrata como presidente do Governo Regional.

Lusa/Rádio Faial | Foto: Direitos Reservados