Sem maioria absoluta nos Açores pela primeira vez em 20 anos, o PS terá agora de negociar com as sete restantes forças políticas com assento no parlamento regional, onde chegaram pela primeira vez Chega, Iniciativa Liberal e PAN.

 Para o presidente do PS/Açores, Vasco Cordeiro, a vitória nas eleições legislativas regionais de domingo foi “clara e inequívoca”, mas este será um “quadro parlamentar desafiante”, já que os socialistas apenas conquistaram 25 dos 57 mandatos do parlamento regional, menos cinco deputados do que há quatro anos.

 Nas mãos de Vasco Cordeiro, segundo o secretário-geral do PS, António Costa, estará agora a “construção de soluções” de governo.

 Do PSD, que conseguiu eleger mais dois deputados do que nas eleições de 2016, Vasco Cordeiro já ouviu que haverá “total disponibilidade para o diálogo” e para a “concertação”.

 Para o líder do PSD/Açores, a nova composição parlamentar é “tão polivalente que pode admitir tudo”, mas, questionado sobre uma possível coligação à direita para poder governar (que teria de incluir CDS-PP, Chega, Iniciativa Liberal e PPM), José Manuel Bolieiro disse não se comover com “atitudes extremistas e populistas”.

 “Não é fácil conseguir juntar todos os partidos”, corroborou o líder do PSD, Rui Rio.

 Pelo CDS-PP, o líder regional, Artur Lima, assegurou que o partido não deixará a região numa situação de “ingovernabilidade” e que irá “conversar, naturalmente”.

O CDS-PP reelegeu um deputado pela ilha Terceira e um por São Jorge, mas elegeu menos um deputado pela compensação, baixando o número de eleitos de quatro para três. A coligação dos democratas-cristãos com o PPM elegeu ainda um deputado do PPM pela ilha do Corvo, que irá integrar o grupo parlamentar dos monárquicos.

Na primeira vez em que concorreu nas eleições regionais dos Açores, o Chega conseguiu entrar para a Assembleia Legislativa no lugar de quarta força política mais votada, elegendo dois deputados, uma estreia que o líder nacional do partido, André Ventura, disse ter provocado um “terramoto”.

Apesar disso, André Ventura já afastou a hipótese de um qualquer acordo de coligação para permitir à direita governar os Açores.

Recusando igualmente uma eventual geringonça à direita, porque o PS teve mais votos e deve governar, o líder do Bloco de Esquerda/Açores, António Lima, focou o discurso no resultado que o partido alcançou, o melhor “de sempre”, com mais 500 votos do que em 2016, que assegurou a manutenção dos dois mandatos conquistados há quatro anos.

 Do membro da direção nacional do partido Pedro Filipe Soares chegou ainda a garantia de que o BE estará disposto para acordos pontuais com o PS e para ajudar a “construir pontes” para uma maioria no parlamento.

 Igualmente satisfeito com o resultado alcançado no domingo, o líder do PPM dos Açores, Paulo Estêvão, classificou como um “facto extraordinário” a eleição de um grupo parlamentar e anteviu que o partido irá ter “um papel importante” no próximo parlamento regional, depois de ter duplicado o número de parlamentares em relação há quatro anos, passando de um para dois deputados.

 “Resultado histórico” e “algo que deve ser registado” foi como o presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, classificou a eleição pela primeira vez de um deputado do partido para o parlamento dos Açores.

 Também pela primeira vez com assento no parlamento regional, o PAN deixou já o aviso de que não alinhará em “visões extremadas”.

“Finalmente estamos no parlamento açoriano. Ao fim de quatro anos de muito trabalho conseguimos eleger representação parlamentar”, disse Pedro Neves, o deputado eleito pelo PAN.

Um dos derrotados da noite acabou por ser o PCP, que perdeu o único mandato alcançado em 2016, um resultado que o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, reconheceu ser “particularmente negativo”.

De acordo com os resultados provisórios divulgados pela Direção Regional de Organização e Administração Pública (DROAP), o PS alcançou 39,13% (40.701 votos) e 25 deputados.

O PSD, com 33,74% (35.091 votos), garantiu 21 mandatos, seguido pelo CDS-PP com 5,51% (5.734 votos), que elegeu três deputados, além de um parlamentar em coligação com o PPM (115 votos).

O Chega teve 5,06% (5.260 votos) e elegeu dois deputados, tal como o BE, que alcançou 3,81% (3.962 votos).

O PPM obteve 2,34% (2.431 votos) e elegeu um deputado, além de um outro eleito em coligação com o CDS-PP.

A Iniciativa Liberal conseguiu 1,93% (2.012 votos) e elegeu um deputado, assim como o PAN, que teve percentagem idêntica e apenas menos oito votos.
Lusa/Rádio Faial | Foto: Direitos Reservados