O PSD/Açores considerou hoje que o Governo Regional, socialista, fez bem ao procurar isolar as ilhas do exterior para fazer face à pandemia de covid-19, tendo sido confrontado com “falta” de “solidariedade nacional”.

“Confrontados com esta realidade, o Governo dos Açores, e bem, procurou isolar as nossas ilhas do exterior. Na falta da obtenção da solidariedade nacional, determinou que a nossa companhia aérea deixasse de voar para o exterior do arquipélago”, sinalizou o líder parlamentar do PSD/Açores, Luís Maurício, falando em declaração política no plenário do parlamento dos Açores, que começou hoje e prossegue até sexta-feira, e é realizado ‘online’.

O executivo regional anunciou no sábado que os passageiros que chegassem à região deixariam de ser obrigados a ficar 14 dias em confinamento numa unidade hoteleira – medida implementada desde o dia 26 de março, no âmbito do combate à propagação do surto de covid-19 –, depois de o Tribunal de Ponta Delgada ter deferido um pedido de libertação imediata (‘habeas corpus’) feito por um queixoso, que se encontrava em confinamento num hotel na ilha de São Miguel.

A SATA deixou de operar do continente para São Miguel e para a Terceira, tal como a Ryanair, mas a TAP nunca abandonou estas rotas, embora com menos viagens semanais.

O PSD/Açores lembra que o caso do Nordeste, na ilha de São Miguel, é a “mancha negra em termos do número de óbitos verificados”, mas defendeu que, “globalmente e nesta fase, é o que se justifica observar, o Governo [Regional] esteve bem nas medidas de proteção e combate à covid-19, na proteção dos açorianos”.

Luís Maurício elencou posteriormente as várias propostas apresentadas pelos sociais-democratas açorianos em época de pandemia, nomeadamente apoios económicos, à agricultura ou ao apoio social, demonstrando preocupações com os índices de pobreza na região.

“Quando a nossa realidade regional é a de que um em cada três açorianos são pobres, não podemos estar orgulhosos do que foi feito. Estamos antes responsabilizados pelo que importa fazer, diferente e melhor, para resolver este grave problema”, prosseguiu o deputado.

O líder da bancada do PS Francisco César sublinhou que o executivo regional, presidido por Vasco Cordeiro, foi “ao limite dos recursos e competências para proteger a região” da covid-19.

“Temos muito orgulho nas medidas tomadas para o vírus não chegar de forma massificada”, acrescentou o socialista, lembrando que a região vive agora um período de progressivo desconfinamento.

“Toda esta abertura da nossa região terá de ser feita de uma forma ponderada, passo a passo, de uma forma diferenciada, consoante a realidade” de cada ilha, acrescentou.

Antes, também em declaração política, o deputado único do PPM, Paulo Estêvão, diz que se espera uma “tarefa gigantesca” nos próximos tempos.

“É uma tarefa gigantesca a que nos espera. Levantar um mundo novo a partir das cinzas de hoje. Projetar o futuro e não deixar de acudir, em todas as situações e em todos os momentos, a todos os que enfrentam as enormes dificuldades que surgiram, quase sem aviso, no horizonte”, disse.

Manter a unidade do sistema político açoriano na luta contra a doença, respeitar a democracia “representativa e pluralista”, aumentar a capacidade do Sistema Regional de Saúde e reforçar os mecanismos de coesão social são alguns dos “grandes trabalhos” que se avizinham, antecipou Paulo Estêvão.

O parlamentar sublinhou ainda ser necessário “salvar o Grupo SATA e impedir a sua privatização parcial”.

“A gestão ruinosa dos últimos anos afundou o Grupo SATA numa situação economicamente muito difícil. A situação que o setor da aviação civil está, nas presentes circunstâncias, a enfrentar a nível internacional constitui, paradoxalmente, uma oportunidade para a SATA. Pode agora beneficiar de apoios regionais, nacionais e europeus diretos. É fulcral que a região tenha capacidade para acionar os mecanismos de apoio e recuperação adequados. A privatização de uma parte do grupo deve ser abandonada”, assinalou o monárquico.

Até ao momento, já foram detetados na região um total de 146 casos de infeção, verificando-se 108 recuperados, 16 óbitos e 22 casos positivos ativos para infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19.

Os casos ativos dividem-se entre São Miguel (16), Graciosa (um), Pico (três) e Faial (dois).

Lusa/Rádio Faial | Foto: Direitos Reservados